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Sabor, Cine & Cia – Servindo a Máfia

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Bem-vindo ao Mambo Café – Por Paulo Bracarense

                Filmes relacionados à máfia são ótimas escolhas para quem quer ver uma boa cena em bares, cozinhas ou de jantares em pequenos ou grandes restaurantes. Ou mesmo de preparo de bons pratos em casa. A trilogia de “O poderoso chefão” é cheia de cenas da culinária italiana. Muitos assassinatos acontecem durante o jantar de algum “desafeto”. Há cenas do gênero em “Os bons companheiros”, “Os suspeitos” e, claro no filme “Uma receita para a máfia”.

A história contada nesse filme, no entanto, vai envolver uma culinária bem diversa da culinária italiana, tão presente nos filmes tradicionais com a máfia. O que estará presente é a culinária porto-riquenha, cujos ingredientes principais são a carne de porco, o arroz, o feijão e o “plátano”, conhecido por aqui como banana-da-terra ou banana comprida.

Os porto-riquenhos aprovaram em 2012 que seu país se torne o 51º estado americano, mas ainda dependem da aprovação do Capitólio. De qualquer forma é considerado um território americano sem personalidade jurídica, autodenominado Estado Livre Associado de Porto Rico. O próprio nome traz um paradoxal oximoro, como de resto o são todos os oximoros. Mas esta situação possibilita aos porto-riquenhos um status de plenos cidadãos americanos. E muitos deles vão viver nos Estados Unidos, a despeito do enorme preconceito que pesa sobre esse povo lá por aquelas bandas.

Esse é o caso da família de Frank (Paulo Rodriguez) que monta um restaurante em Nova York com o nome de “Mambo Café”. Carmen (Rosanne De Soto), a mãe, é a responsável pela cozinha, típica porto-riquenha. O filho adolescente é um pequeno marginal típico e a filha Nydia, representada por uma exuberante Thalía, está em casa de férias de seu curso de administração de empresas da Universidade de Boston. Ela ajuda os pais no restaurante alegando para o namorado, – um estudante de medicina de Harvard, também em Boston -, que ela é de uma família rica da Argentina, e que vai passar suas férias por lá.

O restaurante está cheio de dívidas e tem como cliente assíduo um mendigo que saboreia uma sopa de “plátanos”, típica de Porto Rico. A trama transcorre a partir da ideia genial do filho do casal de convencer um chefe intermediário da máfia, já jurado de morte, a frequentar o restaurante. O seu assassinato, a exemplo de outros casos semelhantes, trará visibilidade para o “Mambo Café”.

O problema, no entanto, é conseguir atrair o mafioso e sua turma para um restaurante de comida típica que tem nos molhos “adobo” (pimenta, orégano, alho cru, sal, azeite de oliva, vinagre e suco de limão) e “sofrido” (coentro, orégano, pimentão, pimenta ‘chili’ ou biquinho, salsinha e alho, esquentados em banha de porco) como seus principais ingredientes. O molho “sofrido” é muito utilizado para carnes, mas também compõem aquele feijão vermelho e graúdo, chamado de feijão rim ou “frijoles” que é composto além desse ingrediente, de molho de tomate, toucinho e muitas vezes abóbora. O sabor e o cheiro são absolutamente únicos e quando bem feito é muito aprazível.

O filme é uma comédia simples. A interpretação da bela Thalía, nome artístico da cantora, compositora, atriz, apresentadora, escritora e empresária mexicana Ariadna Thalía Sodi Miranda, única mexicana na “Calçada da fama” em Hollywood já é alguma garantia de satisfação. E sua indumentária porto-riquenha como garçonete do restaurante do pai é impagável.

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