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Sabor, Cine & Cia – Mais estranho que a ficção

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filme mais estranho

Um oceano infinito e profundo – Por Paulo Bracarense 

O filme foi rodado em Chicago em 2006 com título original “Stranger than ficition”. A versão do título em Portugal “Mais estranho que a ficção” parece mais adequada do que a versão brasileira do título “Contando ninguém acredita”. Trata-se de uma comédia romântica que poderia ser classificado no gênero realismo fantástico que fez muito sucesso em romances como “Cem anos de solidão” de Gabriel Garcia Márquez, Prêmio Nobel da Literatura em 1982, e “Incidente em Antares” de Érico Veríssimo.

Harold Crick (Will Ferrell) é um funcionário da Receita Federal norte-americana que controla os detalhes das pequenas coisas que faz na vida, conta os passos entre sua casa e o ponto de ônibus, os minutos que separam suas ações cotidianas, observa rigorosamente o número de suas escovadas de dente e é capaz de fazer contas de multiplicação complicadíssimas de cabeça.

Harold escuta uma voz que vai narrando suas ações e que prevê sua morte para breve.  Ele então não consegue concentrar-se no trabalho. Ele acha que está sendo seguido pela voz de uma mulher. Ele comenta com um companheiro de trabalho na sala de arquivos como a voz narra seus pensamentos ao roçar uma pasta em uma caixa: “O som do papel contra a caixa fazia o mesmo barulho de uma onda escorrendo pela areia, e quando Harold identificou isso lembrou que ouvia tantas ondas por dia que chegavam a formar, em sua imaginação, um oceano infinito e profundo”.

Jules Hilbert (Dustin Hoffman), um professor de literatura, meio aloprado, vai ajudar Harold a descobrir que na verdade ele é um personagem de um livro que está sendo escrito enquanto sua vida vai correndo. Eles não conseguem descobrir quem é o autor do livro. Mas isso é fundamental para ele, pois o autor já anunciou sua morte. O mais grave é que a autora, Karen Eiffel (Emma Thompson), é uma assassina de protagonistas de seus romances. Mas no momento ela não consegue encontrar uma forma digna de matar Harold em seu livro e mal sabe ela que ele de fato existe.

Mas ele não pode deixar o seu trabalho de fiscalização tributária. Vai então visitar a padaria de dona Ana Pascal, interpretada por uma esplendorosa Maggie Gyllenhaal. Dona Pascal, acaba de abandonar seu curso de direito em Harvard para poder viver melhor cada segundo de sua vida. Ela deixa seu curso por não ver como iria tornar o mundo melhor com o seu diploma. Se for para tornar o mundo melhor ela poderia fazer isso com seus “coockies”.

Ainda durante o período de faculdade seu cardápio é vasto: “cookie de aveia”, “barras de manteiga de amendoim”, “doces de chocolate amargo com nozes de macadâmia”, “croissant de queijos ricota com damasco”, “mousse com calda de amêndoa”, “chiffón de limão com glacê de casca de pêssego” e muito mais.

Esses personagens todos vão se encontrar durante a trama. Não bastasse a confusão causada pela voz que narra seus atos e pensamentos e prepara a sua morte, o contato com o professor Hilbert e especialmente com dona Pascal vai transformar a vida de Harold em uma existência profundamente insegura e confusa.

Dona Pascal pagou 78% do valor dos impostos que ela acredita cobrir os gastos para tapar buracos de ruas, para construir parquinhos, praças e abrigos, mas não concorda com a enorme percentagem que o governo gasta com a defesa nacional, o resgate de empresas e o fundo de campanha. Não é a toa que seu estabelecimento tem o nome de “Uprising Bakery”, algo como “Padaria da Rebelião”.

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