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Sabor, Cine & Cia – “Le Grand Restaurant”

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foto filme paris

Toda minha vida é esse restaurante – Por Paulo Bracarense 

Monsieur Septime é o personagem representado pelo ator francês Louis de Funés.  Ele é um dos clássicos do humor francês que se tornou um grande sucesso a partir da década de 1960, ocasião em que fez o seu primeiro filme relacionado à culinária: “Le grand restaurant” dirigido por Jacques Besnard em 1966. Mais tarde seria o protagonista de mais dois filmes do gênero “comédia gastronômica”: “L’aile ou la cuisse” (A asa ou a coxa) dirigido por Claude Zidi em 1976 e “La soupe aux choux” (A sopa de repolho) dirigida por Jean Girault em 1981.

Chez Septime é um restaurante fictício que leva o nome de seu dono e que representa no filme um templo parisiense da gastronomia francesa. Em homenagem ao filme, o chef Bertrand Passard, deu o nome de seu restaurante de Septime que é considerado um dos melhores de Paris, tendo obtido logo após a sua inauguração sua primeira estrela Michelin em 2013.

Uma comédia francesa tem características muito particulares, por vezes aproximando-se do rocambolesco, o que de maneira alguma representa algum demérito. É o caso do presente filme. M. Septime dirige seu restaurante como um comandante de uma armada de Brancaleone. O local recebe um público muito especial: ministros, secretários de estado, o comissário de polícia, muitos estrangeiros e para a ocasião do filme o presidente de um país sul-americano, que mais parece um chefe de uma “república de bananas”.

Acompanhando o esplendor do salão, a cozinha do restaurante é também um local especial comandada pelo chef cuisinier Marcel (Raoul Delfosse), cuja principal característica não é o bom humor. Ele comanda mais de trinta profissionais na sua cozinha que prepara pratos especiais da culinária internacional. O filme começa com um entrevero entre Septime e Marcel. Na opinião do dono do restaurante os “ovos à maneira mimosa” devem ser preparados com estragão e não com salsinha como é a determinação de Marcel. Naturalmente prevalecerá a opinião do chef a despeito do uso comum do estragão na França como nos molhos “béarnaise”, “tartare” e “hollandaise”.

A trama principal transcorre em torno do sumiço do presidente Novales no momento em que a sobremesa deve ser servida. O dono do restaurante mandou preparar uma torta imensa, cuja cobertura é uma composição de frutas tropicais carameladas, entre elas bananas e um abacaxi inteiro que lhe serve de coroa, formando uma estrutura de árvore de Natal meio bizarra que recebe o nome de “Pyramide Septime”. As luzes são apagadas porque a sobremesa deve ser flambada, possivelmente com conhaque. No momento em que o fogo deve ser aceso ocorre o estouro de bombinhas e quando as luzes retornam o presidente não está mais no restaurante.

Temendo ser responsabilizado por colaboração pelo possível sequestro de Novales, Septime admite colaborar com o comissário de polícia, para seu resgate. Só assim ele não perderá o seu estabelecimento que ele considera como a sua própria vida. Em meio a muita neve, não muito comum na região da capital francesa, ocorrem perseguições de automóveis com muitas cenas hilárias, incluindo cenas de carros batendo e tombando e uma perseguição de helicóptero que ocupam uma parte relevante do filme. O restante se passa na cozinha e principalmente no salão do grande restaurante.

Septime fala além do francês, pelo menos italiano, espanhol e alemão. É nessa última língua que ela apresenta para um visitante alemão, que acompanha um desembargador italiano e o comissário de polícia a sua receita de suflê de batata (“soufflé a la pomme de terre”). No momento em que Septime está passando a receita uma sombra, provavelmente de um lustre, forma no seu rosto um bigode e um cabelo que o faz parecer com Adolf Hitler, certamente em uma alusão ao modo ditatorial como o personagem administra o seu estabelecimento.  A receita é composta por um quilo de batatas, um litro de leite, três ovos, noventa gramas de manteiga, sal e noz-moscada. E ele repete, como dando uma ênfase especial, “e noz-moscada”.

Para quem gosta do movimento de salão de restaurante e do ambiente de cozinha o filme com seu humor ingênuo deve agradar a despeito do tempo imenso gasto na perseguição na neve.

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